Menu
2019-11-24T18:20:02-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mudança de coleção

Dona da Le Lis Blanc e Dudalina, a Restoque tenta pôr ordem na casa. O mercado está cético

Em meio a um processo de mudança de estratégia, a Restoque reportou mais um conjunto de resultados trimestrais desanimadores, o que fez suas ações chegarem às mínimas em mais de três anos

18 de novembro de 2019
16:05 - atualizado às 18:20
Fachada de uma loja Le Lis Blanc, em São Paulo. A marca pertence à Restoque — companhia que também é dona da Dudalina, John John e Bô.Bo, entre outras
Fachada de uma loja Le Lis Blanc, em São Paulo. A marca pertence à Restoque — companhia que também é dona da Dudalina, John John e Bo.Bô, entre outras - Imagem: Shutterstock

A Restoque é um caso singular na bolsa brasileira. Ao contrário de Lojas Renner, C&A, Riachuelo e Lojas Hering, a varejista de moda tem como foco o segmento de alto padrão. Basta ver suas principais marcas: Le Lis Blanc, Dudalina, John John, Bo.Bô e Rosa Chá são algumas de suas bandeiras mais famosas.

Só que, independente do público-alvo, a Restoque também está exposta às intempéries do setor varejista — em especial, o ritmo ainda vacilante da economia doméstica. E a empresa sentiu o golpe da fraqueza na atividade do país, perdendo tração nos últimos anos.

Nesse cenário, a companhia decidiu que era hora de organizar o guarda-roupa: optou por uma estratégia de austeridade no curto prazo, buscando aumentar a eficiência e elevar a conexão com seu público-alvo. A ideia é pavimentar as bases para colher um crescimento no futuro — dar um passo para trás e, depois, dar dois à frente.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

A narrativa é muito bonita, mas fato é que a Restoque tem encontrado dificuldades para mostrar ao mercado que esse processo de reorganização operacional está realmente surtindo efeito. E o resultado dessa transição turbulenta é a forte baixa no preço das ações ON da companhia (LLIS3).

Os papéis da dona da Le Lis Blanc, Dudalina e John John fecharam o pregão desta segunda-feira (18) em forte baixa de 9,71%, a R$ 18,41 — é a menor cotação de encerramento desde fevereiro de 2016. Somente em 2019, os ativos da companhia acumulam queda de 31,3%.

O ceticismo do mercado se deve aos números mostrados pela Restoque em seu balanço do terceiro trimestre. A empresa terminou o período com prejuízo líquido e viu sua receita cair drasticamente — sinais pouco animadores para quem diz ter a intenção de voltar a crescer de maneira sustentável já em 2020.

Desempenho das ações ON da Restoque (LLIS3) desde 2016
Desempenho das ações ON da Restoque (LLIS3) desde 2016

O rei está nu

Vamos aos números: entre julho e setembro, a Restoque reportou um prejuízo líquido de R$ 47,8 milhões, revertendo os ganhos de R$ 7,8 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Desde o início de 2019, a empresa acumula uma perda de R$ 11,7 milhões — há um ano, a empresa tinha um lucro de R$ 58,5 milhões.

A receita também foi mal: chegou a R$ 207,2 milhões no terceiro trimestre de 2019, uma queda de 34,1% na mesma base de comparação. De janeiro a setembro deste ano, a receita soma R$ 689,6 milhões, cifra 27,2% menor que a vista em igual intervalo de 2018.

Esse enxugamento nas receitas, contudo, não foi acompanhado por uma redução nas despesas operacionais. Os gastos desse tipo totalizaram R$ 148,3 milhões no trimestre — entre julho e setembro do ano passado, a dona da Le Lis Blanc, Dudalina e John John teve despesas operacionais menores, de R$ 140,7 milhões.

O endividamento da varejista também não melhorou: ao fim de setembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 1,18 bilhão, cifra 14,2% maior que a vista em junho.

Por fim, o indicador de vendas mesmas lojas (SSS) —uma métrica importante para o setor de varejo — piorou muito: a Restoque como um todo reportou uma queda de 20,9% no terceiro trimestre de 2019 na base anual; Le Lis Blanc e Dudalina tiveram os resultados mais preocupantes, com baixas de 20,6% e 49,8%, respectivamente.

Remendos

Ok, já está claro que os resultados financeiros estão longe de indicar uma reação. Mas, afinal, o que é que a Restoque está fazendo para tentar reverter essa situação?

A estratégia da companhia gira em torno de dois eixos: o fortalecimento das marcas e o foco na experiência e satisfação do cliente. E, de modo a ter êxito nessa empreitada, a dona da Le Lis Blanc, Dudalina e John John diz estar trabalhando para eliminar "conflitos entre os canais de venda".

Para isso, a Restoque está reduzindo as promoções e liquidações no canal de varejo, uma vez que essa prática estava afetando negativamente as vendas no atacado. e atuando para reduzir "significativamente". Além disso, diz estar empenhada em reduzir as vendas a terceiros que comercializam na internet — e que, consequentemente, competem com os próprios canais on-line da empresa.

"No entanto, esse movimento impacta negativamente a receita no curto prazo, até que haja substituição de vendas com descontos por vendas a preço cheio e migração de vendas realizadas online por terceiros para o canal online
próprio", diz a companhia, em mensagem aos acionistas.

Por fim, a varejista diz que a estratégia para 2019 ainda inclui gastos maiores com atualização tecnológica e unificação dos canais de venda online e varejo, em paralelo a um movimento de precificação "intrinsecamente ligada à percepção de valor dos produtos".

Lista de marcas que pertencem à Restoque
Lista de marcas que pertencem à Restoque - Imagem: Restoque

Mudança de coleção

Mas engana-se quem pensa que o balanço da Restoque não trouxe notícias positivas. Por mais que as métricas financeiras continuem sem força, há alguns sinais animadores no front operacional, como o forte crescimento de 137,2% das vendas no canal on-line.

A companhia ainda deu inúmeras sinalizações quanto ao caminho a ser trilhado em 2020. Para o próximo ano, a varejista diz estar focada em otimizar sua gestão e rever sua estrutura de custos e despesas, de modo a dar impulso à rentabilidade e à geração de caixa.

Entre as inciativas para cortar custos, a empresa diz que já está trabalhando para reduzir sua folha de pagamentos por meio da diminuição do quadro administrativo. Gastos com marketing e investimentos serão igualmente enxugados.

A administração da Companhia acredita que, com o final do ciclo de ajustes mais severos de receita realizados em 2019, [...] sua receita evoluirá positivamente em 2020, também tracionada pela maturação do omnichannel, pelo aumento de luxo de clientes e vendas no canal online próprio, pela recuperação da performance do canal atacado e pela performance positiva do varejo", diz a Restoque.

Renovação

Em relatório, o BTG Pactual destaca que os resultados da varejista foram novamente marcados pelos ajustes de estratégia. O banco destaca o impacto negativo de R$ 136,2 milhões, especialmente nas marcas Le Lis Blanc e Dudalina, em função dos cortes de vendas para canais online de terceiros e da redução nas promoções.

"Após um resultado mais fraco que o esperado, e levando em consideração os ajustes em andamento na política comercial e o plano de otimização nos custos, planejamos revisar em breve nossas estimativas [para a Restoque]", escrevem Luiz Guanais e Gabriel Savi, analistas do BTG.

Atualmente, a instituição possui uma recomendação de compra para as ações ON da Restoque, com preço-alvo em 12 meses de R$ 44,00 — um potencial de ganhos de mais de 130% em relação à cotação atual.

"Para uma reavaliação, o desempenho das vendas permanece como um fator chave, especialmente depois dos ajustes no canal de atacado", afirmam os analistas, destacando, ainda, que a Restoque deve se beneficiar com a recuperação econômica do Brasil em 2020.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Projeções para 2020

Os melhores investimentos do mundo: as apostas da BlackRock para 2020

Entre os ativos preferidos da gestora global para o ano que vem estão as ações e os títulos de renda fixa dos mercados emergentes

MUDANÇAS À VISTA?

Concessionária de Viracopos ‘sinaliza’ com processo de devolução, diz ministro

No fim de novembro, a Aeroportos Brasil, administradora de Viracopos, protocolou na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) as considerações finais do processo de caducidade (extinção) do terminal de Campinas

Leilões

Governo projeta até 44 leilões para 2020, incluindo a rodovia presidente Dutra

Em 2019, segundo o ministro, o governo realizou 27 licitações. Foram 13 terminais portuários, um trecho da Ferrovia Norte-Sul, as rodovias BR-364 e 365 e 12 aeroportos

O Ibovespa e o eu do futuro

A Helena, minha filha de nove anos, e os amigos da escola decidiram escrever uma carta para o “eu do futuro” como trabalho de final de ano – hoje é o último dia de aula. Eu nunca tive esse tipo de atividade quando criança, mas já pensei várias vezes em como seria fazer algo do […]

Pelos poderes de Grayskull

Com corte na Selic e alívio na guerra comercial, o Ibovespa teve a força nessa semana

Sinalizações amigáveis do BC em relação à taxa de juros, visão positiva da agência de risco S&P quanto ao Brasil e acordo comercial entre EUA e China: eis os superpoderes do Ibovespa nesta semana

ENERGIA

Eletrobras e Ande fecham acordo sobre divisão de energia de Itaipu

Ainda de acordo com a nota, agora será possível a formalização dos contratos entre a entidade binacional e as empresas compradoras

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: Mais um corte na Selic. Será o último?

Os repórteres do Seu Dinheiro comentam o novo corte de 0,5 ponto na Selic e discutem os próximos passos do BC em relação à taxa de juros

Ação sobe forte

Investidor vê descoberta de fraude contábil na Via Varejo como parte da “faxina” da nova gestão

Apesar do prejuízo que pode chegar a R$ 1,4 bilhão no balanço do quarto trimestre, as ações da companhia (VVAR3) registram forte alta hoje na bolsa

Última forma

Agora que o governo voltou atrás, saque aniversário do FGTS ficou mais vantajoso

Há mais ou menos um mês eu publiquei aqui no Seu Dinheiro uma matéria sobre em quais situações o saque aniversário do FGTS valeria a pena. Trata-se de uma nova modalidade de saque do fundo de garantia em que o trabalhador pode escolher receber uma parte dos seus recursos depositados no fundo uma vez por […]

IPO À VISTA

Bahia pretende abrir capital da Embasa em 2020 e arrecadar de R$ 4 bi a R$ 5 bi

Segundo ele, o tema já está sendo discutido com bancos nacionais e internacionais, como Banco do Brasil, Caixa e Santander

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements