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Ativos preparam-se para encerrar semana no azul

Confusão sobre fala de presidente do Fed de NY pode induzir a ajustes

19 de julho de 2019
6:58
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Imagem: Seu Dinheiro

Os ativos financeiros globais preparam-se para encerrar a semana no azul em meio a crescentes sinais de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, iniciará em breve sua primeira rodada de afrouxamento monetário em uma década.

Por aqui, no entanto, os contratos de câmbio e de juros futuros da dívida talvez passem por algum ajuste no início de sessão de hoje depois de terem acentuado a queda no fim da tarde de ontem com base em declarações do presidente do Fed regional de Nova York, John Williams.

Em discurso feito durante evento da Associação de Pesquisa do Banco Central, Williams declarou que “é melhor adotar medidas preventivas do que esperar que um desastre aconteça”. E arrematou dizendo que banqueiros centrais precisam “agir rápido” quando a economia desacelera.

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A menos de duas semanas da próxima reunião de política monetária do Fed e em meio a expectativas de que o alívio monetário é iminente, Wall Street interpretou a fala como prenúncio de uma ação agressiva da autoridade monetária sobre os juros e pôs abaixo os yields dos Treasuries, afetando por tabela ativos como o dólar e os contratos de DI. Até o Ibovespa tirou uma casquinha e acentuou a alta na reta final de um dia sem muito que justificasse o movimento.

Não é bem assim

Quando a situação estava posta, a direção do Fed de Nova York viu por bem ponderar sobre o assunto. De acordo com a autoridade monetária regional, o discurso de Williams teria sido interpretado fora de seu contexto. A saber, este seria uma explanação acadêmica sobre a atuação de banqueiros centrais.

Procurado pela CNBC, um porta-voz esclareceu: “tratava-se de uma fala acadêmica sobre 20 anos de pesquisas, e não de potenciais ações de política monetária na próxima reunião do comitê de política monetária do Fed”.

Ainda que alguma correção seja esperada no início da sessão, o início de uma ação de política monetária pelo Fed já em 31 de julho segue precificado, sendo que agentes dos mercados financeiros preveem pelo menos dois cortes na taxa de referência norte-americana até o fim do ano.

O otimismo em relação ao tema levou os principais índices de ações a fecharem em altas vigorosas na Ásia. As bolsas de valores europeias também abriram no azul e os índices futuros de Nova York sinalizam alta.

Carta branca para bagunçar?

Por aqui, o governo Jair Bolsonaro parece agir como se tivesse carta branca para bagunçar à vontade. Na quarta-feira, o governo criou a expectativa do iminente lançamento de medidas para reacender a economia no curto prazo. Todo mundo ficou atento, claro, ainda mais com o recesso parlamentar esvaziando o noticiário.

Chegou até a ser feito o anúncio de que seria feito um anúncio sobre a possível liberação dos saques de contas ativas do FGTS em um evento marcado para a tarde de ontem em Brasília. As ações de empresas varejistas subiam enquanto companhias do setor de construção amargavam perdas.

Até que o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, veio a público informar que não seria mais feito anúncio nenhum, adiando a revelação das medidas para algum momento da semana que vem, talvez quarta ou quinta-feira. Consta que o adiamento ocorreu em meio à pressão de empresas do setor de construção, uma vez que são os recursos do FGTS que irrigam grande parte das obras de moradia no país.

Com o adiamento, o governo ganha tempo para estudar a implementação de algo que não se limite a movimentar o varejo no curto prazo, provocando pouco mais do que um efeito marginal no PIB, e pensar em alguma forma de não abalar ainda mais um setor altamente impactado pela atual crise, como é o caso das empresas de construção.

Desta forma, o evento de ontem limitou-se a uma espécie de festa de 200 dias de governo, apesar de motivos questionáveis para comemorar. Quem parou para acompanhar o discurso de Bolsonaro acabou ouvindo suas justificativas para cancelar um concurso para acadêmicos transexuais e para indicar o próprio filho embaixador nos Estados Unidos. Nem Bruna Surfistinha escapou do repertório presidencial.

Assuntos como reforma da previdência, ações de combate ao desemprego ou até mesmo ideias para recuperar a economia ficaram de fora. Também foram notadas ausências ilustres com as do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do ministro da Justiça, Sérgio Moro, sumido dos holofotes em meio às revelações sobre condutas pra lá de duvidosas do ex-juiz feitas pelo site The Intercept Brasil nas últimas semanas.

Enquanto isso, o governo calcula que, da maneira como passou em primeiro turno na Câmara, a reforma da previdência economizaria R$ 933,5 bilhões em dez anos. O cálculo é bem mais otimista do que o de observadores independentes, que gira entre R$ 700 bilhões e R$ 750 bilhões.

Seja como for, a reforma da previdência ainda tem que passar em segundo turno na Câmara antes de seguir para o Senado e muitas mudanças ainda podem acontecer no processo.

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