Menu
Tiro ao alvo

Aposta em Previdência pode turbinar rentabilidade do Tesouro Direto

Com aprovação da reforma da Previdência, investidores em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA podem ver seus papéis se valorizarem

11 de fevereiro de 2019
8:05 - atualizado às 8:06
Imagem: POMB/Seu Dinheiro

O investidor que tem títulos públicos deve ficar atento aos trâmites da reforma da Previdência no Congresso. Mesmo que os ganhos da renda fixa sejam mais previsíveis do que os ativos de renda variável, o impacto das negociações sobre o tema do momento também pode interferir no rendimento das aplicações dos poupadores brasileiros.

Caso a reforma seja aprovada, o que é esperado pelo governo ainda para o primeiro semestre, quem tem recursos aplicados em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA - índice de inflação utilizado pelo governo - pode ver seus papéis se valorizarem. Isso ocorre porque o preço dos títulos negociados via plataforma do Tesouro Direto é atualizado todos os dias.

Se o investidor sair da aplicação antes do prazo, estará sujeito ao preço de mercado. É a chamada “marcação a mercado”. Essa dinâmica levou os papéis atrelados à inflação e os prefixados a perder apenas para a Bolsa no ranking de melhores investimentos de 2018, com ganho médio na faixa dos 12%.

Se, por exemplo, o investidor aplica em um título prefixado, contrata uma rentabilidade determinada de antemão até o vencimento. Se os juros de mercado caírem nesse intervalo, o título se valoriza - assim, caso ele deseje liquidar sua aplicação antes vencimento, terá uma rentabilidade maior do que aquela que contratou. No cenário oposto, se as expectativas da economia piorarem, elevando as taxas de juros, ele pode ter seus ganhos corroídos. Vale lembrar que, carregando o papel prefixado até o vencimento, a rentabilidade será sempre a contratada no momento do aporte.

No mercado, as expectativas de aprovação para a reforma da Previdência são altas. O banco JPMorgan afirmou na semana passada que há 80% de probabilidade de o Congresso aprovar uma reforma, ainda que modesta. Nesse cenário, já há apostas no mercado de que a taxa de juros termine o ano em um patamar inferior ao atual, de 6,50% ao ano.

A Guide Investimentos, por exemplo, prevê que os juros sejam reduzidos para 6% ao fim de 2019. O economista-chefe da corretora, Victor Candido, acredita que a inflação não deve subir muito, especialmente com a aprovação da reforma, o que abre espaço para a queda da Selic. O Itaú Asset Management aposta que as taxas de juros terminarão 2019 em um patamar ainda menor, de 5,75% ao ano. “A atividade econômica está mais lenta do que o esperado e a inflação não vem pressionando. Enxergamos uma possibilidade de corte de juro”, explica Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú. Já sem a aprovação da reforma, avalia Candido, a Selic poderia terminar 2019 já em 7,5% ao ano.

Oportunidade

Gilberto Kfouri, do BNP Paribas, afirma que há um prêmio para o investidor que estiver disposto a correr o risco nos papéis de prazo mais longo, como os indexados à inflação. “O Tesouro IPCA+2045 paga 4,55% mais inflação. Com a aprovação da reforma, esses juros podem chegar mais perto de 4%”.

Já neste início de ano, explica Eduardo Castro, da gestora do Santander, esses papéis ingressaram em movimento de valorização diante de uma política monetária mais paciente dos EUA e da sinalização do governo Bolsonaro de que a reforma previdenciária será ambiciosa. Mas, ele afirma que, antes de esses papéis alcançarem bons resultados como no ano passado, será preciso ver as reformas avançarem no Congresso. “Haverá volatilidade, é uma negociação intensa; é natural que seja um processo de idas e vindas.”

Para não ficar muito exposto a oscilações, a consultora de investimentos da Órama Sandra Blanco recomenda que o investidor diversifique suas alocações de renda fixa, com uma parcela em produtos de liquidez para compor a reserva de emergência.

Embora 2019 traga boas chances de lucrar com a “marcação a mercado”, analistas alertam sobre o alto risco de comprar títulos com o intuito de vendê-los antes do vencimento. A operação está sujeita a uma alta volatilidade e os preços reagem de maneira complexa a indicadores e notícias.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também

Quem é a Pi

Somos uma plataforma aberta de investimentos formada por um time com pessoas de diferentes perfis, unidos por um único propósito: ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente. #Simples, porque temos uma loja de investimentos 100% digital a sua disposição mesmo antes de você abrir a conta; #Seguro […]

Após operação da PF

BC bloqueia R$ 23 milhões de Coronel Lima e R$ 8,2 milhões de Michel Temer

Valor bloqueado estava guardado em três contas do ex-presidente. Resultado do bloqueio foi encaminhado ao juiz Marcelo Bretas

Na mira

S&P coloca rating da Natura em observação para um potencial rebaixamento

Agência de classificação de risco aponta que as negociações para a compra da Avon poderiam impactar negativamente na nota da empresa

A crise vem de dentro

Líder do PSL na Câmara diz que nem o próprio partido de Bolsonaro está convencido sobre a reforma da Previdência

Delegado Waldir afirmou que o projeto de lei sobre a previdência dos militares causou muito descontentamento entre os parlamentares

Fora Temer

Temer deixa sede da Polícia Federal no Rio

Ex-presidente deve voltar para São Paulo, local onde mora e foi preso

Trégua?

Bolsonaro vai procurar a paz por meio da interlocução

General Rêgo Barros destacou que presidente está aberto ao diálogo com Rodrigo Maia e demais congressistas e que fará todos os esforços para aprovação da reforma da Previdência

Seu Dinheiro na sua noite

Na alegria e na tristeza

Temer consegue habeas corpus na Justiça e mercados ainda sofrem reflexos dos desentendimentos entre Maia e Bolsonaro

Mudanças no horizonte

Governo promete à indústria “revogaço” e pacote de competitividade em 15 dias

Promessas foram feitas durante encontro entre onze entidades industriais, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes

DIA 84

Sem rostinho colado, mas tem que dançar

Planalto decide pacificar relações com o Congresso, mas quem fala em descer ao salão de baile é Paulo Guedes

ARTICULAÇÃO

Bolsonaro já está se envolvendo com a reforma, diz secretário da Previdência

Marinho esteve na 75ª reunião geral da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e foi insistentemente perguntado sobre os desentendimentos de Bolsonaro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e sobre quem seria o articulador político do governo.

Em meio às farpas

Prefeitos dizem que é preciso senso de responsabilidade no trato com o Congresso

Fala ocorre no momento em que o governo Bolsonaro entra em conflito com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu