Menu
2020-04-01T17:51:20-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mau começo

Ibovespa abre o mês com o pé esquerdo e cai 2,81%, acompanhando o pessimismo externo

O Ibovespa passou a sessão desta quarta-feira no campo negativo, mas ao menos conseguiu sustentar o nível dos 70 mil pontos. Ações de empresas ligadas ao setor de viagens — como companhias aéreas e de turismo — voltaram a reportar perdas expressivas hoje

1 de abril de 2020
17:51
azar pé esquerdo bolsa Ibovespa
Imagem: Shutterstock

Quem esperava por uma mudança de ares no Ibovespa e nas bolsas globais com a virada do mês, se deu mal: o sinal negativo dominou os mercados acionários nesta quarta-feira (1), refletindo a postura mais defensiva assumida pelos investidores desde os primeiros minutos da sessão.

O índice brasileiro terminou o pregão de hoje em baixa de 2,81%, aos 70.966,70 pontos e, com isso, já acumula perdas de 3,35% nesta semana. Como consolo, ao menos o Ibovespa conseguiu sustentar o nível dos 70 mil — na mínima, chegou a cair 4,73%, aos 69.568,56 pontos.

Essa nova rodada de perdas na bolsa local ocorreu em linha com o tom visto nos mercados externos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 4,44%, o S&P 500 recuou 4,41% e o Nasdaq fechou em baixa de 4,41%; na Europa, as principais praças registraram quedas de mais de 3%.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás da sessão desta quarta-feira. Veja abaixo:

No câmbio, o dia também foi de bastante estresse: o dólar à vista encerrou em alta de 1,27%, a R$ 5,2628, cravando um novo recorde nominal de fechamento — a moeda americana nunca tinha terminado uma sessão acima dos R$ 5,20.

Tivemos fatores externos e domésticos influenciando as negociações por aqui nesta quarta-feira. E, por mais que ambos os fronts trouxessem alguns elementos positivos, a cautela acabou prevalecendo entre os investidores — o que derrubou as bolsas e levou o dólar para cima.

Futuro sombrio

Os investidores globais mostraram-se mais receosos desde o início da sessão de hoje, repercutindo as sinalizações preocupantes emitidas ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em pronunciamento, ele disse que as próximas semanas serão 'muito dolorosas' — a previsão oficial da Casa Branca é de cerca de 240 mil mortos no país por causa do coronavírus.

Esse tom mais alarmante assumido pelo governo americano mexeu com a confiança dos agentes financeiros, e nem mesmo os dados mais animadores da economia dos EUA serviram para injetar ânimo nas negociações.

Mais cedo, a ADP reportou um corte de 27 mil empregos no setor privado do país em março, resultado melhor que o projetado pelos analistas consultados pelo Wall Street Journal, de fechamento de 125 mil vagas no período.

Também durante a manhã, foi a vez dos dados PMI de atividade do setor industrial superarem as expectativas: o indicador caiu de 50,7 em fevereiro para 48,5 em março — a projeção era de baixa mais acentuada, a 47,3.

Nada disso, no entanto, ofuscou as declarações pessimistas de Trump e do governo americano quanto ao futuro.

Alívio e cautela no Brasil

O mau humor visto lá fora acabou colocando em segundo plano um eventual alívio causado pelo tom mais conciliador adotado pelo presidente Jair Bolsonaro. Ontem, em pronunciamento à nação, ele assumiu a existência da crise do coronavírus e reforçou os esforços do governo para prestar auxílio econômico emergencial.

Mas, apesar dessa fala mais amena, fato é que os ânimos em Brasília continuam bastante tensos. A medida de apoio aos trabalhadores informais aprovada pelo Senado, liberando o pagamento do auxílio de R$ 600, ainda precisa da sanção presidencial, o que provoca irritação em parte da classe política.

No ministério da Economia, fala-se em entraves para a disponibilização dos recursos, prevista para depois do dia 16 de abril. O próprio ministro Paulo Guedes chegou a condicionar a liberação do auxílio à aprovação de uma PEC, o que criou mal-estar.

Juros curtos quase estáveis

Apesar do tom mais pressionado do dólar à vista, as curvas de juros futuros de curto prazo exibiram um tom relativamente estável nesta quarta-feira. Os investidores dividiram-se entre a cautela global e a percepção de que a Selic deverá ser cortada para dar sustentação à economia brasileira — ao fim do dia, os DIs curtos tiveram ligeira alta:

  • Janeiro/2021: de 3,23% para 3,25%;
  • Janeiro/2022: de 4,05% para 4,21%;
  • Janeiro/2023: de 5,41% para 4,49%;
  • Janeiro/2025: de 6,75% para 6,96%.

Top 5

As exportadoras voltaram a aparecer entre os ativos de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira, pegando carona na valorização do dólar — um efeito que eleva a receita desse tipo de companhia. Veja abaixo as maiores altas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
JBSS3JBS ON21,77+7,03%
SUZB3Suzano ON37,38+4,44%
MRFG3Marfrig ON9,20+3,95%
VIVT4Telefônica Brasil PN51,12+3,54%
BRFS3BRF ON15,61+3,45%

No lado oposto, destaque para as ações ligadas ao setor de viagens — vale lembrar que, ontem, Donald Trump disse estar analisando uma suspensão nas viagens entre os EUA e diversos outros países, incluindo o Brasil:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
AZUL4Azul PN14,85-15,38%
CVCB3CVC ON9,40-15,32%
GOLL4Gol PN9,98-12,23%
VVAR3Via Varejo ON4,65-11,93%
MRVE3MRV ON11,00-10,13%
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

briga de galo

IMC mantém, por ora, contrato de franquia com KFC

Juízo indefere pedido da KFC de revogação da exclusividade da IMC na administração das operações KFC no Brasil

Liberalismo sob medida

Ala liberal perde terreno e aponta falhas no governo

Após a interferência na Petrobras e rumores de que Guedes sairia do governo, pacote de medidas liberais está em cheque

NÚMEROS DA PANDEMIA

Em 24 horas, país registra 721 mortes e 34 mil novos casos de covid-19

Desde início da pandemia, Brasil acumulou 254.942 óbitos e 10.551.259 casos de covid-19, segundo Ministério da Saúde

CARDÁPIO DE BALANÇOS

Na disputa pelo e-commerce, Magazine Luiza, Via Varejo e B2W divulgam resultados; veja o que esperar

Empresas foram pouco, ou nada, prejudicadas pela pandemia de covid-19 e devem fechar 2020 com números positivos

Começou!

Prazo para entregar declaração de IR começa hoje; veja as vantagens de declarar cedo

Prazo de entrega da declaração de IR 2021 começa nesta segunda (1º) e vai até de 30 de abril; entenda por que pode ser uma boa se apressar

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies