2019-08-26T14:18:03-03:00
Na defesa do capitão

Ministra da Agricultura diz que declarações de Macron sobre Amazônia foram ‘oportunistas’

Tereza Cristina se disse satisfeita, no entanto, com a oferta do G-7 para ajudar o Brasil a combater os incêndios florestais

26 de agosto de 2019
14:18
Tereza Cristina, ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. - Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que considera "oportunistas" as declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, que criticou o presidente Jair Bolsonaro.

Entretanto, ela se disse satisfeita com os resultados da reunião do G-7, na França, em que os países mais ricos ofereceram ajuda ao Brasil para o combate aos incêndios florestais na Amazônia.

"Foram declarações oportunistas, isso prejudica a imagem do Brasil. Mas o bom senso prevaleceu e ontem (domingo), na reunião do G-7, tivemos apoio dos sete países dizendo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", disse a ministra na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, em São Paulo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

"Nossas relações comerciais com a Europa, depois do acordo, deixaram alguns países preocupados pela pujança do nosso agronegócio, pelo mercado que podemos tirar, principalmente da Irlanda, sentimos preocupações com a carne. E não é de hoje que produtores da França se insurgem contra produtos brasileiros, querendo denegrir nossa imagem. Mas graças a Deus, o bom senso prevalece."

Ela criticou também a cobertura da imprensa brasileira em relação às queimadas na Amazônia e à aceleração na liberação de agrotóxicos.

"Fico preocupada com a histeria que hoje existe na imprensa brasileira em falar mal do Brasil. Isso é crime lesa-pátria que se comete. Tanto no problema ambiental... Qual país não tem esse problema?", perguntou ela.

"Principalmente com a Amazônia. Como se pudéssemos ter controle absoluto. E os recursos enviados para o Brasil nem sempre vão para o que é necessário. Tem de se colocar dinheiro aqui, mas não interferir na soberania do nosso País. Também sofremos campanha de resíduos que inexiste. O Brasil faz parte de todos os acordos internacionais, exporta para todos os países e raramente temos cargas devolvidas por problemas de resíduos."

Tereza Cristina não descartou a possibilidade de boicote internacional a produtos brasileiros por questões ambientais: "Não posso descartar porque não sou eu que faço boicote."

A ministra destacou, entretanto, que acha exagerado ligar os produtos agrícolas brasileiros à queimadas. "O problema existe e o Brasil sabe disso. Há preocupação com queimadas - que acontecem todos os anos -, mas acho oportunismo dizer que isso tem relação com os produtos brasileiros", argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do aumento nos últimos meses, o avanço das queimadas em todo o ano de 2019 não é tão alto. A ministra não falou sobre o desmatamento ou sobre o fato de o período de estiagem na região ser mais brando até o momento em 2019. "É exagero comparar dados referentes apenas a um mês."

'Compromisso com a sustentabilidade'

Segundo Tereza Cristina, o Brasil concilia produtividade e sustentabilidade na produção agrícola. "O caminho que o Brasil escolheu trilhar é o da ampliação da produtividade promovendo a sustentabilidade ambiental, econômica e social.

O Brasil tem uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, o Código Florestal, que é referência e reforça o compromisso de seguir o caminho da sustentabilidade", afirmou em outro evento em São Paulo, o 4.º Diálogo Brasil-Japão.

A ministra afirmou também que é preciso mostrar ao mundo que o Brasil produz alimentos com sustentabilidade.

"Os exigentes compradores globais precisam ser informados sobre a realidade da produção dos alimentos no Brasil - desde sua origem nas fazendas até a mesa do consumidor. É fundamental que o mundo conheça o exemplo que a agricultura brasileira tem a dar em aspectos ambientais, sociais e trabalhistas."

Propostas ao Japão

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que propôs ao Japão a abertura de seu mercado para a carne bovina de um bloco de Estados brasileiros, formado por Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Rondônia.

"O Japão costumeiramente importa carne bovina de países livre de febre aftosa sem vacinação e no Brasil só Santa Catarina tem esse status", disse ela em entrevista coletiva após reunião com o ministro da Agricultura japonês, Takamori Yoshikawa.

"Propus a ele um bloco de estados, incluindo Paraná, que deve caminhar rapidamente dentro do programa de erradicação de aftosa sem vacinação, Rio Grande do Sul, Goiás e Rondônia. As tratativas estão sendo feitas, inclusive aqui hoje, para podermos atingir esse objetivo", comentou.

Ela afirmou esperar que, até o ano que vem, uma missão do Japão visite os Estados citados.

A ministra listou outros produtos para os quais o Brasil busca abertura no Japão, como abacate e material genético.

Ainda segundo Tereza Cristina, o Japão tem interesse em iniciar cooperação entre universidades japonesas e instituições brasileiras, como a Embrapa. "Sempre na área de alimentos. Eles prezam muito a segurança alimentar."

*Com Estadão Conteúdo.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

NO ESCURO

Ações da Light chegam a cair mais de 11% após saída de CEO — saiba se é hora de vender LIGT3

Raimundo Nonato Alencar de Castro alegou motivos pessoais; sua saída afeta todos os cargos ocupados nos órgãos da administração das subsidiárias controladas ou coligadas da empresa

CÂMBIO NA MÃO

Faz um PicPay para a gringa: empresa libera compra de moedas e transferências internacionais diretamente no aplicativo

É possível adquirir papel-moeda de mais de 20 países utilizando o saldo em carteira e cartão, à vista ou parcelado, além de enviar a receber dinheiro do exterior

POBRES RICASSOS RUSSOS

Sanções contra Putin já bloquearam US$ 30 bilhões das fortunas dos maiores bilionários da Rússia — mas não é só isso

Em 100 dias, a força-tarefa global REPO congelou em torno de US$ 300 bilhões em ativos do banco central russo

QUEDA DAS COMMODITIES

Dieta dos carboidratos: XP inicia cobertura de Camil (CAML3) e M. Dias Branco (MDIA3) — saiba qual a preferida

Com a baixa nos preços das commodities, a XP inicia a cobertura de empresas no segmento de carboidratos; com recomendação diferentes para Camil e M. Dias Branco

CAOS EM CRIPTO

Coreia do Norte está por trás do ataque que roubou US$ 100 milhões da ponte do ethereum (ETH)? Entenda

Após o Lazarus ser considerado responsável pelo maior golpe hacker da história das criptomoedas na rede do Axie Infinity, empresas acusam o país asiático de ter financiado o ataque na plataforma Horizon