Menu
2019-10-14T14:12:45-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Inspira cuidados

Governo enxerga ‘sinais amarelos’ em votação da reforma da Previdência no Senado

Queda de braço entre Legislativo e Executivo, que se concentrou nos destaques do projeto, preocupa a equipe de Paulo Guedes

5 de setembro de 2019
16:00 - atualizado às 14:12
Secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Leonardo Rolim
Leonardo Rolim - Imagem: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Quem olha a rapidez com que a reforma da Previdência foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na noite desta quarta-feira, 4, talvez não tenha percebido alguns dos sufocos que os senadores deram ao governo.

A queda de braço entre Legislativo e Executivo se concentrou nos destaques do projeto. Foram oito no total, e alguns deles quase custaram bons milhões de economia para a União. O secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, afirmou que a aprovação proposta foi importante, mas levantou "alguns sinais amarelos".

"Foi importante, mas levantou alguns sinais amarelos em alguns destaques que ganhamos por uma margem muito apertada", disse ele nesta quinta-feira, 5, durante a Conseguro, evento do setor de seguros que ocorreu em Brasília.

Diante desse cenário, o governo agora prepara uma ofensiva de negociações e articulações na Câmara Alta brasileira. Segundo Rolim, será necessária uma conversa melhor com os senadores em alguns pontos como no caso do abono do PIS/Pasep, que, na sua visão, é a política assistencial mais "desfocada" do Brasil e que não se encontra em nenhum lugar do mundo. "Esse é um ponto que ficamos com sinal de alerta e que teremos de conversar melhor com os senadores", explicou.

Só lamentos

Rolim lamentou também a volta da vinculação de todas as pensões por morte ao salário mínimo no texto principal da reforma e que diminuiu a previsão de economia em R$ 35 bilhões no Senado, para R$ 870,5 bilhões. "Infelizmente, tivemos uma perda ontem no Senado. Ainda seremos campeões mundiais (em pior sistema de pensão do mundo), mas teremos redução com gastos pensão no futuro", disse.

No assunto previdenciário, conforme Rolim, o Brasil tem o sistema "mais desequilibrado do mundo", ficando no primeiro ou segundo lugar, mas, em pensão, "não tem para ninguém". "O Brasil é disparado o sistema mais benevolente do mundo: 3,2% do PIB é gasto com pensão por morte. Na Grécia, é 2,6%", avaliou.

Segundo o secretário, atacar as regras do sistema de pensão no Brasil é necessário uma vez que as atuais não são comparáveis em nenhum lugar do mundo. O governo havia concordado em garantir o piso nacional, hoje em R$ 998, para pensionistas que tivessem renda formal abaixo do salário mínimo. No entanto, em votação na quarta-feira, o Senado optou por estender a garantia a todos, impedindo qualquer possibilidade de pagamento de pensão abaixo do mínimo.

Rolim também chamou atenção para a necessidade de implementar o instrumento da capitalização no sistema geral de Previdência, embora o tema tenha ficado de fora da reforma.

Privilégios para policiais em PEC Paralela

O secretário afirmou também que há preocupação no governo com a criação de privilégios a policiais federais e estaduais civis na PEC Paralela da reforma da Previdência. Está prevista, conforme ele, a criação de um regime próprio que hoje eles não têm e garantia de integralidade e paridade para quem ingressou até este ano, o que também não está previsto.

"Isso está na PEC Paralela. Ainda dá tempo para arrumar... Mas é um tema de preocupação que a gente acredita que vai explicar aos senadores", afirmou Rolim, durante a Conseguro.

De acordo com ele, o tema "preocupa muito" em um momento que as regras de previdência para todos os brasileiros estão sendo endurecidas considerando o contexto demográfico e a situação fiscal do País. "Não dá para imaginar que alguma categoria passe a ter algo que não tem hoje", avaliou.

E a capitalização sai ou não sai?

O secretário de Previdência do Ministério da Economia afirmou que a pasta trabalha para endereçar o sistema de capitalização no âmbito do sistema geral de Previdência o mais rápido possível. "Entendemos que o sistema de capitalização é fundamental para o Brasil", disse.

A ideia do Ministério da Economia, conforme Rolim, é endereçar a questão da capitalização de duas formas via o envio de uma PEC caso estejam previstas mudanças na Constituição ou por meio de um projeto de lei, que é o mais provável. Antes, a sugestão do governo era apenas pedir autorização para a criação do sistema. Agora, o foco é sugerir todas as regras para a capitalização, conforme Rolim.

"A diferença maior é que enviaremos a proposta completa e não apenas os princípios seja qual for a proposta para a implementação do sistema de capitalização", explicou o secretário.

De acordo com ele, na linha de não alterar princípios constitucionais, um dos objetivos do Ministério da Economia em torno das sugestões para a capitalização é garantir o salário mínimo via um fundo solidário, com princípio de solidariedade, contando com a parte do trabalhador, do empregador, da sociedade e do Estado. "Além desse, terão outros princípios que estarão na proposta que faremos", concluiu, sem dar mais detalhes.

*Com Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

FECHAMENTO

Bolsa, dólar e juros terminam o dia no vermelho com repercussão do Orçamento e novo plano Biden

Plano de Biden de aumentar impostos não agradou o mercado e a perspectiva de nova injeção de estímulos puxou para baixo o dólar. Já os juros futuros recuaram de olho na sanção do Orçamento

dança das cadeiras

Carrefour muda alto escalão, em processo de integração com Grupo BIG

Sébastien Durchon deixa o cargo de vice-presidente de finanças e de relações com investidores; executivo ficará à frente do processo de integração com a companhia adquirida

Concorrência pesa

Lucro líquido da Intel despenca 41% no 1º trimestre

Apesar do resultado negativo, a receita da companhia caiu apenas 1% na comparação com os primeiros três meses do ano passado

Milionários na mira

Biden quer dobrar impostos sobre ganhos de capital dos mais ricos para financiar educação infantil

O presidente dos EUA aposta no aumento das taxas para investidores que ganham acima de US$ 1 milhão para financiar sua nova proposta

Oferta de ações

Caixa Seguridade (CXSE3): reservas para o IPO terminam no dia 26; veja os detalhes e se vale a pena investir

Banco público pretende captar até R$ 6,5 bilhões com a venda de parte de suas ações na empresa que reúne suas participações em seguros

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies