⚠️ DIVIDENDOS EM RISCO? Lula e Bolsonaro querem taxar seus proventos e podem atacar sua renda extra em 2023. Saiba mais aqui

Luciana Seabra
Advogada do Investidor
Luciana Seabra
É CFP®, especialista em fundos de investimento e sócia da Empiricus
2019-01-17T09:09:32-02:00
Advogada do Investidor

Na dúvida, incline-se contra o vento

A economia se move em ciclos. O perfil do gestor – mais otimista ou cético – e do próprio fundo – mais alocado em ações de alta ou baixa liquidez, tendem a influenciar seu desempenho…

17 de janeiro de 2019
9:09

Por algum motivo oculto, muitos investidores apostam que o começo de um novo calendário apostólico romano é a deixa para fazer a limpeza do portfólio: vender o que foi mal e comprar o que foi bem nos últimos 12 meses.

Minha caixa de e-mails reflete a prática. Ela se divide entre:

1. Mensagens apaixonadas de quem aceitou a sugestão de acrescentar ao portfólio um long biased – um fundo de ações que também ganha dinheiro quando a Bolsa está em queda – e teve retornos muito superiores ao Ibovespa no ano passado.

2. Mensagens indignadas de quem apostou em um dos meus multimercados favoritos e viu seu desempenho ficar para trás do CDI em 2018 – onde já se viu?

Posso adivinhar o fluxo de olhos fechados: se você acaba de abrir uma hamburgueria e não faz ideia de como chamá-la, vá de “Long Biased”. Vai atrair dinheiro como um imã.

Multimercados estão fora de moda – os mesmos que receberam os clientes há um ano, atrasados para os ganhos excepcionais de 2017 – e, na certa, vão sofrer resgates.

“No mundo dos investimentos, a falha planta as sementes do sucesso futuro”, profetiza David Swensen, o mais reconhecido alocador de fundos do mundo, responsável pelo bolsão de dinheiro da Universidade Yale, nos EUA.

Ele continua: “Na falta de razões fundamentais para trocar os gestores da alocação, retornos positivos podem ser esperados de seguir a estratégia de sacar dinheiro dos gestores que oferecem desempenho recente forte e alocar dinheiro naqueles com resultados fracos. Na dúvida, incline-se contra o vento”.

Evitar o amado e abraçar o mal-amado, como diz Swensen. Não, não é superstição. A economia se move em ciclos. O perfil do gestor – mais otimista ou cético – e do próprio fundo – mais alocado em ações de alta ou baixa liquidez, mais afeito ao mercado de juros ou câmbio, por exemplo – tendem a influenciar seu desempenho.

E o que você, investidor, costuma fazer ao se deixar influenciar somente por retornos recentes? Sair do fundo assim que se encerra uma fase ruim do ciclo para ele e começa o período em que ele vai desempenhar bem e entrar em outro ao fim de sua fase áurea, quando começa um período não tão positivo para ele?

Ano difícil

Faça isso repetidamente, some o fato de o imposto sobre fundos no Brasil punir resgates em menos de dois anos, e aí está a fórmula para o fracasso do seu portfólio.

Foi um ano difícil para os multimercados de forma geral, mas alguns dos melhores resultados de 2018 são de gestores que não tinham desempenhado tão em bem em 2017, caso da Verde e da Gávea, por exemplo.

E eu confesso que tenho ficado um pouco irritada diante de quem me pergunta se deveria resgatar do Nimitz, dado o retorno de 57 por cento do CDI no ano passado. Ninguém mais se lembra dos 166 por cento do CDI de 2017? Isso pra não citar todo o histórico acumulado desde 2010 pela SPX.

Há exatamente um ano, eu defendi aqui o fundo Verde, dizendo que Stuhlberger sempre será Stuhlberger, em uma fase bastante difícil do fundo. Lá eu escrevi assim: “Em janeiro de 2019, voltamos a conversar sobre o assunto”.

Aqui estamos. Desde então, o Verde sofreu saques de investidores de alto patrimônio e, em setembro, abriu as portas no varejo, criando filas de demanda. Quem entrou não pode reclamar. De setembro até hoje, o ganho é de 262 por cento do CDI.

Digo o mesmo para você hoje: “Em janeiro de 2020, voltamos a conversar sobre a SPX”.

Quer saber? Amo gestor desafiado – muito mais do que os que estão confortavelmente deitados sobre o retorno recente positivo. É deles (sempre!) o meu próximo investimento.

Cota murcha

Eu me lembro como se fosse hoje da audiência pública da mais recente Instrução de fundos, a 555. E de como os gestores reclamavam para a CVM do excesso de regras que recaíam sobre eles.

Àquela época, enquanto a poupança captava a rodo com sua praticidade e as LCIs e LCAs levavam o investidor por meio do argumento da isenção, os fundos ficavam para trás com seus impostos esquisitos (que tal o come-cotas?) e a necessidade de obrigar o investidor a preencher um longo questionário antes de fazer seu investimento (com o popular nome “suitability”).

Uma das principais respostas da CVM foi a criação do fundo Simples, concentrado em títulos pós-fixados de baixo risco e, por isso, liberado da obrigatoriedade de suitability e de envio de material impresso ao cotista. Seria a porta de entrada do investidor no mundo dos fundos. Lindo!

Só que a CVM não impôs nenhuma restrição ao custo do produto. Eu questionei na época e ouvi que seria uma interferência no livre mercado.

Aqui estou eu alguns anos depois observando o retorno médio do fundo Simples em 2018: 5,39 por cento. Se o saque for feito em menos de seis meses, o investidor ganha menos do que na poupança.

O desempenho é pior do que o do tipo “renda fixa – duração baixa – grau de investimento”, que concentra a maior parte dos fundos DI, com ganho médio de 6,25 por cento. Ou seja, claramente os tais fundos Simples, apesar da gestão, comunicação e distribuição simplificada, são mais caros do que os fundos Complexos.

Os bancos montaram o tal do Simples, fácil de acessar, até definiram mínimos baixos para soar populares. Só que cobraram preços altos por ele.

E a indústria, mais uma vez, mostrou que não merece um voto de confiança.

Cota cheia

Pra quem procura, tem. Nas corretoras online – BTG, Órama e XP – onde a concorrência é mais acirrada e o investidor é mais bem informado, os fundos Simples são mais baratos. Você encontra produtos com taxa menor do que 0,2 por cento ao ano.

Aí sim, para qualquer prazo, mais rentáveis do que a poupança.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

MARKET MAKERS

Os dois ‘Brasis’: Descubra as maneiras de analisar os diferentes cenários da economia brasileira

7 de outubro de 2022 - 8:48

Economia é algo complexo e baseado em variáveis que não podem ser isoladas, além de as análises também serem influenciadas pelos pontos de vista pessoais dos especialistas

CAÇADOR DE TENDÊNCIAS

Day trade na B3: Oportunidade de lucro acima de 3% com ações da Camil (CAML3); veja a recomendação

7 de outubro de 2022 - 8:07

Identifiquei uma oportunidade de swing trade baseada na análise quant – compra dos papéis da Camil (CAML3). Saiba os detalhes

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A dinâmica própria do Ibovespa, a grande promessa no petróleo, segundo turno das eleições e outras notícias que mexem com seus investimentos

7 de outubro de 2022 - 8:02

Por aqui, a propaganda eleitoral volta hoje e os institutos de pesquisa seguem divulgando seus levantamentos depois do primeiro turno

DE OLHO NA BOLSA

Esquenta dos mercados: Bolsas internacionais aguardam payroll e Ibovespa mira dados do varejo hoje

7 de outubro de 2022 - 7:47

Os investidores locais ainda aguardam a participação de Roberto Campos Neto em evento fechado à imprensa pela manhã

CENTRAL DAS ELEIÇÕES

Eleições 2022: Lula e Bolsonaro retomam propaganda eleitoral no rádio e na televisão

7 de outubro de 2022 - 7:31

Acompanhe a cobertura ao vivo das eleições 2022 com as principais notícias sobre os principais candidatos à Presidência e nos Estados

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies