2019-04-05T15:39:38-03:00
acima das expectativas

Inflação dá um respiro e cai em fevereiro, diz FGV

Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) subiu 0,35% no fechamento de fevereiro, com quatro das oito classes de despesa que compõem o índice apresentando acréscimo em suas taxas de variação

1 de março de 2019
11:20 - atualizado às 15:39
Frutas expostas em supermercado em São Paulo - Imagem: J.F. Diorio/Estadão Conteúdo

O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) subiu 0,35% no fechamento de fevereiro, após alta de 0,29% na 3ª quadrissemana do mês e expansão de 0,57% no resultado de janeiro. A divulgação foi feita nesta sexta-feira, dia 1º, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O dado ficou acima do teto das expectativas coletadas em pesquisa do Projeções Broadcast, que iam de 0,21% a 0,34%, com mediana de 0,27%. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 4,38%.

Para o coordenador do índice no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, o IPC-S deve acelerar em março. Segundo o economista, os mesmos itens que provocaram o avanço entre a terceira quadrissemana e a última leitura de fevereiro devem levar o indicador para 0,45% no fim de março.

Quatro das oito classes de despesa que compõem o índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação no período de um mês. O grupo Alimentação ofereceu a principal contribuição ao movimento, com a taxa acelerando de 0,71% para 0,94%, sustentada principalmente pelo item "hortaliças e legumes" (de 0,93% para 5,93%).

Dentro de hortaliças e legumes, o economista cita o comportamento de tomate (-21,02% para -10,60%) e batata inglesa (19,67% para 27,96%). Na ponta (pesquisas mais recentes), os itens já indicam alta de 16% e de cerca de 30%, respectivamente, o que demonstra que devem continuar elevando o IPC-S em março.

Há ainda o comportamento de feijão, que encarece devido à quebra de safra. O feijão carioca passou de alta de 31,54% para 37,86% e mantém uma alta similar na ponta, de 38%.

Dentro de alimentação, porém, alguns itens podem dar algum alívio, como frutas (2,81% para 2,29%) e laticínios, mas sem impedir a aceleração do índice, explica Picchetti. O leite longa vida arrefeceu da terceira para a quarta quadrissemana de fevereiro, de 2,82% para 1,23%, e indica na ponta variação negativa de 0,70%.

Demais grupos

A aceleração também ocorreu em outros grupos, como Habitação (de 0,37% para 0,44%), Vestuário (de -0,63% para -0,13%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,42% para 0,50%), com destaque para tarifa de eletricidade residencial (de 1,08% para 1,33%), roupas femininas (de -0,75% para 0,28%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,22% para 0,54%), respectivamente.

Segundo Paulo Picchetti, os combustíveis também devem pressionar o IPC-S para cima em março. No fim de fevereiro, o subgrupo já registrou recuo menos intenso, de -2,35% para -1,31%, o que deu contribuição de alta de 0,05 ponto no IPC-S de fevereiro.

No período, o etanol acelerou de queda de 2,33% para declínio de 1,61%, enquanto gasolina cedeu 1,71%, depois de recuo de 2,85%. Na ponta, o etanol já indica avanço de quase 1%, já o combustível derivado do petróleo mostra elevação de 0,04%.

Na contramão, houve decréscimo nas taxas dos grupos Educação, Leitura e Recreação (de -0,07% para -0,65%), Despesas Diversas (de 0,18% para 0,10%), Transportes (de 0,01% para -0,01%) e Comunicação (de 0,01% para 0,00%). Nestas classes de despesa, destaque para cursos formais (de 1,28% para 0,00%), cigarros (de -0,06% para -0,18%), tarifa de ônibus urbano (de 2,09% para 0,97%) e tarifa de telefone residencial (de -0,09% para -0,17%).

Capitais

O IPC-S acelerou em cinco das sete capitais pesquisadas na última quadrissemana de fevereiro na comparação com a leitura anterior. Segundo a FGV, os acréscimos registrados nas taxas do IPC-S em relação à quadrissemana anterior foram nos seguintes locais: Salvador (de 0,06% para 0,21%), Brasília (de -0,06% para 0,13%), Belo Horizonte (de 0,62% para 0,65%), Rio de Janeiro (de 0,32% para 0,36%) e Porto Alegre (de -0,14% para 0,02%). Já os decréscimos foram verificados em Recife (de 0,54% para 0,53%) e São Paulo (de 0,58% para 0,53%).

*Com informações de Estadão Conteúdo

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