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2019-10-14T14:29:48-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Maior nível em um mês

Quarta alta consecutiva: Ibovespa fecha no campo positivo e recupera os 103 mil pontos

Num dia em que os mercados se dividiram entre a cautela com a China e o otimismo com os BCs, o Ibovespa até chegou a subir mais de 1% na máxima, mas fechou em alta de 0,24%, aos 103.180,59 pontos

9 de setembro de 2019
10:26 - atualizado às 14:29
Dado mostrando quatro pontos
O Ibovespa se afastou das máximas, mas conseguiu engatar a quarta alta seguida - Imagem: Shutterstock

O Ibovespa bem que tentou alçar voos mais altos nesta segunda-feira (9), atingindo a faixa dos 104 mil pontos durante a manhã. Essa arrancada, contudo, teve vida curta: o principal índice da bolsa brasileira perdeu boa parte do ímpeto ao longo da tarde, encerrando o dia com ganhos modestos.

Mas, apesar desse enfraquecimento, o mercado acionário tem motivos para comemorar. Afinal, o Ibovespa conseguiu registrar o quarto pregão consecutivo no campo positivo: ao fim do dia, subiu 0,24%, aos 103.180,59 pontos. É a primeira vez desde 13 de agosto que o índice termina uma sessão acima dos 103 mil pontos.

Essa redução nos ganhos ocorreu em linha com o movimento visto no exterior: nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,14%) e o Nasdaq (+0,01%) também perderam intensidade ao longo do dia, mas, assim como o Ibovespa, conseguiram terminar no azul. Já o Nasdaq (-0,19%) não sustentou a alta e fechou em ligeira queda.

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Essa redução nos ganhos ocorreu em linha com o movimento visto no exterior: nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,14%) também perdeu intensidade ao longo do dia, mas, assim como o Ibovespa, conseguiu terminar no azul. Já o S&P 500 (-0,01%) e o Nasdaq (-0,19%) não sustentaram o desempenho positivo e fecharam em ligeira queda.

Dois fatores movimentaram os mercados externos neste início de semana: por um lado, havia certa cautela em relação aos dados da balança comercial da China, que ficaram abaixo do esperado — as exportações do gigante asiático caíram 1% em agosto, enquanto as importações recuaram 5,6%.

Mas, por outro, essa decepção com a economia chinesa — e a leitura de que a guerra comercial começa a afetar a atividade do país — elevou a percepção de que os principais bancos centrais do mundo serão forçados a promover uma rodada de estímulos monetários, de modo a dar sustentação às economias locais.

Nesta quinta-feira (12), o Banco Central Europeu (BCE) irá definir a taxa de juros na região; na semana que vem, é a vez do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central do Brasil (BCB) fazerem o mesmo. E, com o sinal amarelo vindo da China, há a leitura de que os BCs devem agir agora, baixando os juros e estimulando a atividade econômica.

"Segue a expectativa quanto à adoção de uma agenda mais aberta a reduções nas taxas, dadas as preocupações com as economias globais", diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. "Podemos também ter uma rodada mais forte de estímulos para a economia chinesa".

Durante a manhã, esse otimismo em relação à postura dos BCs levou os mercados acionários ao campo positivo, em especial as bolsas de países emergentes, que são mais beneficiadas pela menor aversão ao risco. Mas, ao longo do dia, esse otimismo acabou se esvaziando, o que deu um tom de neutralidade ao Ibovespa e aos mercados dos EUA.

Passos ainda pondera que as sinalizações emitidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista ao Valor Econômico, foram bem recebidas pelos agentes financeiros. "Começamos a ver uma sinalização mais forte em busca do equilíbrio fiscal", diz. "O Guedes mostra que o governo está empenhado, e isso é muito positivo".

Commodities se recuperam

O mercado de commodities teve uma segunda-feira de maior tranquilidade: o minério de ferro, por exemplo, subiu 4,4% no porto chinês de Qingdao — cotação que serve de referência para os agentes financeiros; o petróleo Brent (+1,70%) e WTI (+2,35%) também fecharam em alta.

Nesse cenário, as ações da Petrobras, da Vale e das siderúrgicas ganharam terreno. Os papéis PN da estatal (PETR4) subiram 1,55%, enquanto os ONs (PETR3) avançaram1,99%; Vale ON (VALE3) teve alta de 3,10%, CSN ON (CSNA3) valorizou 3,20%, Usiminas PNA (USIM5) disparou 8,08% e Gerdau PN (GGBR4) subiu 5,47%.

Dia de extremos

Além dos papéis ligados ao setor de commodities, também apresentaram desempenho positivo as ações dos bancos: Itaú Unibanco PN (ITUB4) avançou 2,45%, Bradesco PN (BBDC4) teve alta de 1,27, Banco do Brasil ON (BBAS3) subiu 1,24% e as units do Santander Brasil (SANB11) valorizaram 1,57%.

Mas, mesmo com os bancos e as outras blue chips no azul, o Ibovespa mostrou dificuldades para se sustentar em alta. E isso porque diversos papéis do índice apresentam perdas expressivas, o que praticamente neutralizou os ganhos das ações citadas acima.

Na ponta negativa, destaque para o segmento de varejo: Magazine Luiza ON (MGLU3) caiu 5,00%, B2W ON (BTOW3) recuou 5,64%, Via Varejo ON (VVAR3) teve baixa de 5,01%, Lojas Renner ON (LREN3) desvalorizou 0,96% e Lojas Americanas PN (LAME4) teve queda de 1,60%.

Analistas e operadores ponderam que essa queda em bloco das varejistas não é ocasionada por alguma notícia relacionada ao setor. Embora os especialistas apontem que as expectativas são baixas para a "Semana do Brasil" — iniciativa do governo federal para estimular o consumo doméstico —, as quedas parecem ser geradas por um movimento de realização dos lucros recentes.

Marfrig em destaque

As ações ON da Marfrig (MRFG3) subiram 3,85% e apareceram entre os destaques positivos do Ibovespa. Nesta manhã, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebeu um comunicado da GACC, órgão de sanidade chinês, informando que 25 frigoríficos foram habilitados para exportar carne para o gigante asiático.

Os papéis da Marfrig ainda foram impulsionados pela notícia, publicada pela Coluna do Broadcast, de que Marcos Molina, sócio-fundador e detentor de 36,43% da companhia, deseja adquirir a fatia detida pelo BNDES, de 33,74%, e que deverá se colocada à venda como parte da estratégia de desinflar o braço de participações do banco.

Ainda no setor de frigoríficos, BRF ON (BRFS3) caiu 1,15% e JBS ON (JBSS3) teve baixa de 3,53%.

E o dólar?

No mercado de câmbio, o dólar à vista abriu o dia em baixa e chegou a recua 0,77%, a R$ 4,0485. No entanto, a moeda americana foi ganhando força, terminando a sessão em alta de 0,46%, a R$ 4,0987.

Esse movimento ocorreu em linha com o visto no exterior: o dólar abriu a sessão perdendo terreno em escala global, tanto em relação às moedas fortes quanto as de países emergentes. No entanto, a divisa americana ganhou impulso durante a manhã.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de divisas fortes, reduziu as perdas e ficou perto da estabilidade. Entre as emergentes, a moeda americana virou e passou a subir em relação ao peso chileno e ao peso mexicano, mas permanece em queda ante o rublo russo e o rand sul-africano.

Juros em leve baixa

A curva de juros tem uma segunda-feira sem grandes oscilações. Enquanto aguarda eventuais sinalizações por parte dos BCs a respeito dos próximos passos da política monetária no mundo, o mercado prefere não promover grandes alterações nos DIs.

Na ponta curta, as curvas com vencimento em janeiro de 2020 fecharam em baixa de 5,32% para 5,30%, e as para janeiro de 2021 caíram de 5,36% para 5,34%.  Na longa, os DIs para janeiro de 2023 recuaram de 6,45% para 6,42%, e os com vencimento em janeiro de 2025 foram de 7,00% para 6,98%.

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