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Luis Ottoni
Luis Ottoni
Jornalista formado pela Universidade Mackenzie e pós-graduando em negócios pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou nas editorias de economia nos portais G1, da Rede Globo, e iG.
De fraldas a eletrônicos

Amazon expande, passa ter estoque próprio e venda direta no Brasil

Com novas operações, gigante norte-americana tenta fazer frente a grandes empresas no Brasil, como a B2W e Magazine Luiza

22 de janeiro de 2019
10:10 - atualizado às 14:24
Caixas da Amazon
Amazon - Imagem: shutterstock

A Amazon está lançando um novo capítulo de sua história no Brasil e deixando gigantes do setor por aqui em estado de alerta.

A partir desta terça-feira, 22, a companhia passará a vender e entregar eletrônicos, produtos de limpeza, beleza, ferramentas entre outros. Mas o que realmente muda? Bastante coisa.

Até então, esses produtos já eram comercializados na Amazon brasileira, mas em um formato de market place, em que a companhia vendia e, em grande parte, os produtos eram entregues por parceiros.

Agora, a empresa ficará responsável por todo o processo, podendo proporcionar padrões ainda mais altos desses serviços, como já o faz nos EUA, por exemplo.

Longo caminho

E mesmo que a gigante do e-commerce ainda tenha um longo caminho à frente para bater concorrentes locais, como a B2W e Magazine Luiza, o anúncio já foi suficiente para derrubar as ações das duas companhias ontem.

Para armazenar os produtos, a Amazon dispõe de um centro de distribuição de 40 mil metros quadrados, o equivalente a seis campos de futebol.

"Os clientes começavam a nos pedir isso. É uma transição, uma evolução", afirmou o presidente da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, ao "Estado de S. Paulo". "Não vamos parar por aqui", acrescenta.

Para o presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP, Pedro Guasti, o movimento da Amazon aproxima a operação brasileira do padrão internacional em quantidade de itens ofertados e prazos de entrega. É uma evolução "ainda tímida, mas planejada e consciente", comentou ao "Estado de S. Paulo".

Ao ter os produtos em seu próprio estoque, a companhia consegue negociar melhor com fornecedores e administrar preços de forma mais competitiva, destaca.

Foco no frete

Um dos destaques da Amazon na nova proposta está no frete. A empresa vai oferecer frete grátis para compras acima de R$ 149, no caso de entregas padrão, que podem demorar em torno de uma semana, por exemplo.

Ao mesmo tempo, oferece para capitais do Sul e Sudeste entrega rápida em até um dia e, neste caso, há um custo.

Numa simulação feita para um endereço na capital paulista, uma compra de itens de beleza realizada durante a manhã seria entregue no dia seguinte ao custo de R$ 10,90.

A Amazon não revela os valores investidos no novo centro de distribuição, que fica em Cajamar, na Região Metropolitana de São Paulo. O espaço alugado pertence à operadora de galpões logísticos Prologis.

Durante a visita ao local, a reportagem encontrou uma área de armazenagem com aspecto bastante tradicional, com processos de estocagem e empacotamento majoritariamente manuais, embora auxiliados por máquinas. Segundo a assessoria da companhia, há etapas do processo que são mais eficazes quando feitos por seres humanos do que por robôs.

Próximos passos

O novo centro de distribuição da Amazon vai atender apenas os produtos comprados e vendidos pela empresa. Por enquanto, a gigante não vai prestar os serviços de armazenamento e entrega para os seus vendedores de marketplace, o chamado Fulfillment by Amazon.

Segundo Guasti, esse seria um passo natural para a empresa no Brasil pela frente. É algo que concorrentes nacionais já fazem. Questionado, Szapiro evitou comentar sobre o tema.

*Com Estadão Conteúdo 

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